quarta-feira, janeiro 19, 2005

De adeus e de sombras, e do sol que sempre volta a brilhar

Foram inúmeras as noites em que adormeci e encontrei você em meus sonhos.
Estivemos perdidos,você e eu, por longo tempo.
Tempo em que nos propusemos a cuidar de nossas vidas e problemas.
Tempo em que o próprio tempo não existiria para nós,
Onde o verbo a ser conjugado estaria inevitavelmente na primeira pessoa.
Então eu fui.
Na partida, ao olhar para trás para o último aceno,
percebi com estranheza que você não se voltar para o adeus.
Olhos marejados, coração descompassado, segui meu caminho rumo ao desconhecido.
Porém a imagem do seu vulto afastando-se indiferente assombrou-me por muito tempo ainda.
Os dias que seguiram-se desde então pareceram-me meses.
Estive perto, bem perto de desistir de mim, de tudo, da vida até.
Mas esta insistia em afrontar-me, desafiando-me a vencer a mim mesma.
Sobrevivi.
Não tão tarde que não pudesse mais sorrir.
Contudo não a tempo de não perder-me de você.
Tempo insensato.
Ainda hoje, em algumas das noites em que adormeço sobre os livros espalhados sobre a cama,
os sonhos me pregam peças resgatando sua imagem nos guardados de minha memória.
Você perambula por eles , meus sonhos, com enorme graça e desenvoltura.
Não mais como protagonista,
mas mero figurante.
Não devíamos nunca dar as costas aos nossos sonhos.
Nunca.
Não deviamos nunca dizer adeus.

..........

Aimee Mann "Save me"

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